1. Considerações Fisiopatológicas e Estratégia Inicial
Na Síndrome Coronariana Aguda (SCA), a cineangiocoronariografia (hemodinâmica) representa o desfecho comum para a investigação e tratamento, embora o tempo para sua realização dependa da apresentação eletrocardiográfica:
SCA com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST): Caracteriza-se pela oclusão total da artéria coronária. A estratégia de revascularização (angioplastia primária) deve ser imediata. Caso o serviço não disponha de hemodinâmica, realiza-se a abertura química temporária com trombolíticos, sendo a tenecteplase o fármaco de escolha. Ressalta-se que, nesta modalidade, a conduta é baseada no ECG, não se devendo aguardar o resultado da troponina para iniciar a reperfusão.
SCA sem Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMSSST): Reflete uma obstrução parcial da luz vascular. Não há evidência de benefício com o uso de trombolíticos. A estratégia invasiva (cateterismo) é programada após a estratificação de risco do paciente, utilizando-se escores validados como TIMI e, preferencialmente, o GRACE (que considera estado clínico, parada pré-internação, entre outros fatores).
2. Condutas Imediatas e Estabilização (Protocolo MECA/ABCDE)
A abordagem inicial no setor de emergência deve ser sistemática, focada na estabilização hemodinâmica e controle sintomático.
Monitorização e Suporte (M e E)
Monitorização: Contínua e rigorosa.
Estabilização: Estabelecimento de acesso venoso central. A suplementação de O² é indicada apenas se a SpO2 < 90%, visando evitar a vasoconstrição coronariana induzida pela hiperóxia.
Controle Álgico e Hemodinâmico (C e B)
O controle da dor e da demanda miocárdica é prioritário:
Nitratos: Utilizados como vasodilatadores coronarianos, preferencialmente por via endovenosa (nitroglicerina). São contraindicados em casos de:
Uso de inibidores da fosfodiesterase-5 (tadalafil nas últimas 48h ou sildenafil nas últimas 24h).
Infarto de Ventrículo Direito (VD).
Hipotensão arterial.
Morfina: Reservada para dores refratárias ao nitrato. Deve ser usada com cautela, pois está associada ao aumento da mortalidade devido à interação farmacológica que reduz a absorção e ação dos segundos antiagregantes plaquetários.
Beta-bloqueadores: Indicados nas primeiras 24 horas para reduzir a demanda de oxigênio (exemplos: atenolol, carvedilol, bisoprolol, succinato de metoprolol e nebivolol). São contraindicados em: Insuficiência Cardíaca (IC) descompensada, choque cardiogênico, sinais de baixo débito, Bloqueio Atrioventricular (BAV), e asma ou DPOC descompensados.
3. Terapia Antitrombótica e Adjuvante (A, C, D e E)
Antiagregação e Anticoagulação (A e C)
A Terapia Antiplaquetária Dupla (DAPT) e a anticoagulação são mandatórias para todos os pacientes, exceto em casos de alergia comprovada ou sangramento ativo.
Ácido Acetilsalicílico (AAS): Dose de ataque de 150-300 mg, seguida de manutenção de 75-100 mg/dia.
Segunda Antiagregação (P2Y12): A escolha depende do risco de sangramento e da estratégia de reperfusão:
Clopidogrel: Menos potente, apresenta menor risco de sangramento, sendo o fármaco de escolha em associação com trombolíticos.
Ticagrelor e Prasugrel: Mais potentes, porém com maior risco hemorrágico e sem perfil de segurança estabelecido para uso conjunto com fibrinolíticos.
Outras Terapias Adjuvantes (D e E)
Diuréticos: A espironolactona é indicada se o paciente evoluir com IC (NYHA II-IV) e Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) < 35% pós-IAM.
Inibidores da ECA (IECA): Como enalapril e captopril, devem ser iniciados nas primeiras 24 horas. Em caso de intolerância, utiliza-se um Bloqueador do Receptor de Angiotensina (BRA).
Estatinas: Devem ser de alta potência.
Inibidores de Bomba de Prótons (IBP): Como omeprazol ou pantoprazol, indicados para pacientes com alto risco de sangramento digestivo (ex: história de úlcera péptica ou sangramento prévio em uso de DAPT).
4. Critérios de Reperfusão e Pós-Trombólise
No IAMCSST submetido à trombólise, é imperativo avaliar os critérios de reperfusão entre 60 a 90 minutos após o procedimento:
Redução > 50% do supradesnivelamento do segmento ST no novo ECG.
Melhora significativa da dor precordial.
Presença de arritmias de reperfusão (ex: Ritmo Idioventricular Acelerado - RIVA).
Observação Clínica: Na ausência desses critérios ou em caso de instabilidade clínica/elétrica, deve-se proceder imediatamente à angioplastia de resgate. Mesmo após uma trombólise bem-sucedida, o paciente deve ser transferido e mantido por 24 horas em serviço que disponha de suporte de hemodinâmica.
Terá um material mais completo?
ResponderExcluirTerá sim! Postarei em alguns dias!
ExcluirA sim, que bom! Pois gostei desse resumo!
ExcluirFico feliz !!!!!!!!!!!!!!!!
ExcluirSeria legal ter um sobre hipertensão! Pois sou hipertenso e queria saber mais sobre!
ExcluirVou postar durante o mês de março! ;-)
ExcluirTerá alguma postagem sobre Hipertenção? Gostaria de saber mais sobre!
ResponderExcluirVou postar durante o mês de março! ;-)
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